terça-feira, 17 de novembro de 2015

Décima-6 Página: A Lista

Acho que fiquei bastante tempo sem escrever aqui, mas volto com minha lista maior - com quarenta e sete ítens. Quer ver? Aposto que não, mas dane-se, vai ver mesmo assim.
  1. Deixe de ser medrosa
  2. Olhe ao seu redor e destaque-se
  3. Aceite que você é (ou tem) um problema
  4. E então, repare-se
  5. Às vezes é preciso ser cruel para ser gentil
  6. Aceite-se
  7. Não planeje
  8. Não se importe
  9. Seus instintos são horríveis. Nunca siga-os, só às vezes.
  10. Pare de ser chata
  11. Esqueça o medo de rejeição
  12. Siga seu coração
  13. Faça o que quer, esqueça dos outros ao menos 1 vez
  14. Siga em frente
  15. Não se arrependa de suas decisões
  16. Não se esconda
  17. Reaja
  18. Saia do quadrado
  19. Desafie-se
  20. Seja você, independentemente de quem esteja ao seu lado
  21. Ocasionalmente, deixe que vejam o que você carrega
  22. Não se arrependa de suas outras decisões
  23. Não largue os livros
  24. Conheça pessoas interessantes
  25. Conheça pessoas como você
  26. Não tenha medo de se apresentar/começar algo novo
  27. Mantenha as pessoas
  28. Não se afaste e não os afaste
  29. Leve adiante uma conversa
  30. Faça uma amizade virtual
  31. Escreva um romance
  32. Aja por impulso
  33. Segure seu impulso
  34. Esforce-se
  35. E esforce-se mais
  36. Assuma as responsabilidades
  37. Não se arrependa de uma decisão mais uma vez, e mais uma e mais uma
  38. Não desista NUNCA
  39. Corra atrás
  40. Encare
  41. Deixe as coisas caminharem conforme devem ser, não interrompa a lei natural
  42. Ignore o mundo à sua volta e deixe de ser tímida por 1 dia (aproveite),e agora 2  e agora 3 e 4...
  43. Viaje
  44. Realmente
  45. Mentalmente
  46. Emocionalmente 
  47. Amorosamente
E ai? O que acha da minha louca lista com a finalidade desconhecida ainda. Não, sério, vou contar o porquê fiz isso. Sou uma pessoa muito tímida e sinto tédio constantemente, não gosto das coisas sempre da mesma forma e sinto que preciso mudar, às vezes não quero mudar nada e às vezes quero mudar tudo. Quero emoção e é um tanto difícil - não sei se você sabe - ter emoção no ensino médio, mas se você olhar por outro lado, você vai acabar percebendo que ele está cheio de emoções e eu quero elas, quero me desafiar e vamos ver no que dá. A lista só está crescendo e quero completar tudo. Se quiser copiá-la e usá-la para sua "melhora" como a minha, sinta-se a vontade.

Abraços, C.


segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Décima-5 Página: Só eu


Tenho dezesseis anos, mas uma alma de sessenta. Minha avó as vezes tem mais ânimo que eu. Carrego comigo o jeitinho brasileiro de me livrar de muitas situações. Sei mentir muito bem e isso não significa que faço com frequência. Gosto muito de literatura brasileira, mas sou uma mula para entender gramática. Não sou de expressar meus sentimentos, isso não significa que eu não os tenha. Me seguro no máximo para não chorar na frente das pessoas, mesmo que eu queria. Então saiba que quando eu chorar em sua frente, eu não estou mais aguentando. Não me sinto confortável para chorar na frente de alguém e nem expor meus problemas. Não falo de mim para ninguém, sinto que incomodarei, que ninguém quer saber. Mas ouço muitos. As pessoas gostam de conversar comigo, falar de sua vida e suas desilusões amorosas, sempre ajudei nessas situações, sempre recebi áudios no meio da noite por problemas importantes ou idiotas dos outros que eu apenas ouvi e concordei. Uso essa regra para minha vida inteira, se não entender algo apenas sorria e acene. Sou do tipo que ouço músicas que ninguém conhece, leio livros que ninguém nunca ouviu falar e minhas roupas são as mais confortáveis da face da Terra, não importa se são masculinas, P, GG, M e etc. Sou de fácil comunicação, mas de difícil entendimento. Não confio nas pessoas, à não ser que me prove valer à pena confiar. Me apaixono fácil, mas ao mesmo tempo nego isso até para mim mesma. Sou a pessoa mais indecisa que conheço. Odeio bagunça e ao mesmo tempo sou uma. Meu quarto começa arrumado, termina terrivelmente bagunçado e lá volto eu para arrumá-lo e desarrumá-lo novamente. Não gosto de baladas e festas, prefiro ficar em casa. Gosto da solidão mas tenho medo de ficar sozinha. Tenho medo do escuro e durmo com a Tv ligada. Não gosto de ter sonhos no meio da noite pois sinto que não durmo direito, mas passo o dia sonhando acordada. Discordo em tudo que é possível com meu professor de filosofia - ele é um imbecil, só para constar. Tenho tantas ideias para começo de histórias, mas não tenho nenhum fim. Faço listas de como me melhorar, nunca as cumpro. Sou uma covarde com coragens absurdas. Não gosto de sair de minha zona de conforto. Sou tímida pra caramba. Tenho um humor negro, mas as vezes não entendo piadas. Me irrito com gente lenta, mas meu melhor amigo é uma lesma. Muitas vezes sou sarcástica sem querer. Sei afastar as pessoas quando quero e as vezes faço isso sem querer também. Tenho bastante paciência, mas ela não é infinita. Não sei me organizar, isso vale tanto para a bagunça do meu cabelo, quanto para meus pensamentos/sentimentos. Escrevo muito quando me sinto infeliz ou feliz, entediada ou animada, amando ou odiando. Escondo-me por trás de sorrisos fáceis e simpáticos. Se leu tudo isso, não tente entender esse texto. Não o releia. Isso é um trecho de minha mente. Um fragmento de minha personalidade. Um tentativa de explicar quem sou.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Décima-4 Página: Mãe.

De tanto livro sobre psicologia, pedagogia e filosofia que minha mãe já leu, ela se tornou praticamente um auto-ajuda ambulante. Minha mãe é ótima com as palavras, sabe como acalmar qualquer um, pede para que a pessoa respire direito, conte até dez, tenha uma vida mais calma e etc etc. Qualquer um que topa com ela, sente-se otimamente bem em contar sobre seus problemas e pedir conselhos, e ela ouve pacientemente à cada um. Já fiquei muito surpresa por sua paciência que eu, infelizmente, não tenho tamanha. E me surpreendo cada vez mais quando a vejo ajudando os outros com conselhos que parecem ser infalíveis. 
Comecei à prestar atenção nesse "dom" de minha mãe, quando tinha nove anos. Eu fazia natação em uma academia próxima e enquanto eu estava na piscina com preguiça de continuar, ela estava conversando com a dona da lanchonete. Já era comum que ela não me olhasse nadando, eu não me importava. Eu saía do chuveiro e lá estava a dona da lanchonete falando com minha mãe. Uma cearense tagarela. Eu comia meu lanche, e lá estava a mulher falando com minha mãe que apenas ouvia e quando no final, tudo já estava dito - ou aparentemente tudo - minha mãe lançava seu conselho que era ouvido e agarrado com toda a atenção do mundo pela mulher. Aquilo me entediava no começo e depois passou a me dar curiosidade (e depois à me entendiar novamente). Ela tinha tanto tato com aquilo, tanta facilidade em entender o problema do outro e lhe dar a resposta certa que eu não entendia como. Na volta para casa, eu me sentava no banco da frente do carro e ela dirigia enquanto contava um pouco do que a mulher lhe havia falado mesmo se eu não perguntasse. E durante toda a minha vida foi assim. Eu, normalmente, não preciso falar muito que ela já percebe e faz questão de dar suas dicas e falar do Doutor Augusto Cury, seu autor preferido no mundo da psicologia. Mas o pior é que não consigo falar realmente o que quero e apenas ouço seus conselhos concordando, os mesmos conselhos de sempre, com uma pitada de "paciência é tudo". E para acrescentar na minha vida quase budista, agora ela é natural ou "natureba", suco verde, gengibre, arroz integral, carne de soja e chás, meu Deus, como odeio chá. Mas a mulher que tanto sabe dar conselhos e manter a calma, desabafa comigo, sua filha, com talvez medo de atrapalhar os outros com seus problemas, sendo que os outros não têm essa preocupação em atrapalhá-la ou não! Ela sempre contou tudo para mim, praticamente tudo, todos os seus problemas, até para reclamar de meu pai e talvez seja por isso que somos tão próximas, normalmente em suas reclamações, apenas me calo e balanço a cabeça concordando.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Décima-3 Página: Negociar com a mente

Perdida no tempo de seu quarto escuro na noite, girava na cama à procura de alguma posição confortável para conseguir descansar sua cabeça. Encarava o teto calmamente enquanto sem perceber, agitava os pés com meias, mostrando uma tal ansiedade. Ansiedade sem cabimento, não havia nada novo na manhã seguinte pelo qual tivesse que se exasperar. Fechava os olhos e os abria novamente. Sua cabeça pendeu até perceber estar de ponta cabeça, os pés encostados na parede de travessado com a cama. O sangue subia e tudo parecia um tanto encantador daquela forma irregular de se ver. Seu livro já havia terminado, lera com tamanha lentidão apenas para que não acabasse sua fantasia tão rápido, mas sabia que uma hora teria que terminar, assim como tudo em sua vida. Lamentava por ter lido todos os livros em seu quarto, todos os poucos que guardava com tamanho carinho. Não os ganhava com frequência, apenas quando seu irmão voltava da grande cidade, o "médico" da família. Que graça tem encontrar com corpos rasgados, úlceras abertas e mortes e mais mortes todos os dias? Mas de qualquer forma, seria muito melhor do que estar ao léu como ela. Viver ao léu. Essa mesmice a cansava, e tão jovem já carregava tamanho peso de um ancião. Queria fazer algo, não apenas crescer, casar-se e ter filhos. Viver para a família e o lar. Costurar, fazer compras e pegar o bonde para todos os mesmos lugares. Não queria isso para ela mesma. Pensava em sua mãe, seu cabelo extremamente arrumado e perfeito, nenhum fio saía do lugar. Seu avental florido sobre o vestido simples e elegante, o pequeno relógio no punho. As costas retas, o sorriso fácil e simpático para seus convidados. Passava, limpava, cuidara dos filhos que tivera cedo. Já estava grávida aos dezesseis anos, sua idade no momento. Isso a assustava um pouco. Apesar de toda a felicidade aparente - ou talvez apenas contentamento, de sua mãe, ela não queria isso, queria mudar alguém, mudar alguns, mudar o mundo quem sabe. Lembrou-se então de seu pai, um médico sério, com vários clientes e muito bem respeitado. Salvara vidas constantemente. Talvez ele mudasse um pouco o mundo, ao menos o mundo daquelas pessoas. Suas meias chacoalhavam com seus pés para cima, apoiados na parede. Os cobertores jogados de lado, o travesseiro caído no chão, seus cabelos pendendo para fora da cama. A dor de cabeça começara a surgir, ficava mais fácil de pensar, mais difícil de respirar. Seu irmão, influenciado por seu pai, talvez um "boi de manobra"? Ou apenas um jovem sem ideias próprias? E então lhe restava sua tia. Mulher jovem, com a mesma idade de seu irmão, vinte anos, mas madura como um mamão laranja, e azeda como uma limonada sem açúcar. Misturava todos os gostos e gestos em si. Era calma como uma tarde ensolarada, mas tempestuosa quando seu mau-humor falava mais alto. De cabelos negros e curtos sobre os ombros brancos, os balançava sem preocupar-se com a bagunça. Usava calças enquanto todos a julgavam sendo melhor comportar-se como uma dama e não um rapaz. Estalava seu chicle quando era de sua vontade irritar. Tantos exemplos que havia em sua volta. Certos ou errados? E se certos, certos para quem? A luz acendeu-se. Levantou a cabeça rapidamente sentindo uma tontura atingi-la. "Vá dormir." Foram as duas palavras ditas por seu pai que voltara a apagar a luz. Pegou o travesseiro, puxou os cobertores, os jogou por cima da cabeça e mais escuridão se fez. Fechou os olhos. Fixou-se na cor preta, a única que via, e a única que poderia fazê-la esquecer de tantos pensamentos conturbados sobre quem ser ou como ser quando crescer. Sabia que poderia esquecer nesse momento esses sentimentos, mas amanhã, na hora de dormir, eles voltariam novamente e provavelmente teria que encontrar outra solução para empurrá-los para o próximo dia. Negociar com sua mente, talvez desse certo. Penso em você amanhã.

sábado, 24 de outubro de 2015

Décimo-2 Página: Atenção!

Atenção! 
Alerta de confusão mental à frente. Pare de ler imediatamente caso perder o rumo da história ou não entender, falamos de caso sério de miopia da vida - enxergar coisas onde não tem. Continue caso seja como eu, estranho.
Sou indecisa, insegura, medrosa, dramática, exagerada, calada, sarcástica e não sei dançar. Todos esses meus defeitos são cruéis para mim e fazem questão de acertarem golpes baixos junto com a vida para me fazer sentir melhor. Já ouvi muitas vezes que ser adolescente as vezes te faz querer morrer, claro que as pessoas falam isso da boca para fora (algumas não), mas sim, isso é verdade. Quando se é adolescente você não tem muito controle sobre seus atos e é o início da sua vida, praticamente. Durante a sua adolescência você começa a decidir quem você é ou será, mas muitas vezes querem decidir por você. Você é obrigado a fazer escolhas, sair daquele conforto de quando escolhiam para você. Você mesmo começa a sentir-se um tanto mais livre, mesmo sem perceber todas as rédeas que te seguram e quando percebe... Como já falei eu tenho dezesseis anos, um metro e cinquenta e poucos de altura, cabelos castanhos bagunçados - que eu não me importo em arrumar, fã de filmes cult, músicas estranhas e livros, uso roupas confortáveis e nem sempre são bonitas e nunca beijei alguém. Uau, quanta coisa tenho para escrever mas não sei nem como começar. E com muito custo estou escrevendo isso para dizer que não quero ser ninguém mais do que eu. Os adolescentes enfrentam muito esse problema, personalidade. Eles tem a necessidade de se encaixarem em algum grupo e principalmente, estar os melhores. Ninguém é capaz de ser igual ao outro e eu não posso ser ninguém mais que essa garota com a vida marcada por momentos atrapalhados que se juntam e formam mais momentos atrapalhados, o que defini minha existência. Viu?! Exagerei de novo. Durante todo esse diário que duvido que alguém queira ler, eu irei contar um pouco do que acontece, aconteceu e meus delírios futuros na minha vida. Vamos ver que merda isso aqui vai dar. Bem vindos à minha confusão.

Décima-1 Página: Pela primeira vez

Durante toda minha vida eu fiz o que pediram para que eu fizesse, eu fiz o que os outros achavam que era melhor para mim, talvez por pensar que meus instintos são horríveis e nunca devo segui-los - o que pode ser verdade, mas isso não vem ao caso agora - o que importa é que tenho vivido todos os meus pouso dezesseis anos para os outros e não para mim. Eu tenho ido à aquela festa para não decepcionar minha amiga, mesmo que a festa dela sendo uma porcaria cheia de bêbados. Eu tenho me esforçado nos estudos para conseguir alcançar níveis altos para que a diretora me colocasse em um banner na escola como aluna medalhista de qualquer merda. Eu tenho me matado e chorado por não alcançar as expectativas que os outros colocavam em mim. Esse ano, algumas fichas caíram. Eu percebi que não sou a melhor aluna da escola e nem posso ser. Eu percebi que consigo ficar feliz fazendo o meu melhor, mesmo que não seja o melhor para os outros. Eu percebi que as minhas decisões vão mudar o meu futuro, e não decisão dos outros sobre mim. Eu percebi que não posso alegrar todos à minha volta e que enquanto tento ser melhor para um, decepciono outro, ou pior, decepciono à mim mesma. Eu não sou a melhor pessoa para fazer uma escolha, sou indecisa e enquanto meu coração fala "Não", minha cabeça falava "Vai", ou vice-versa, não sei ao certo. Mas...eu pedi conselhos e todos me disseram "Vai" e eu, por algum motivo, dizia "Não". Talvez meus instintos sejam horríveis mesmo e eu nunca deva segui-los. Talvez se eu fosse seria uma nova experiência e da próxima vez eu já saberia mais. Mas talvez o "Não" em qual eu tanto insisti seja outra experiência melhor, para que eu saiba se eu estive certa, se eu fiz certo, para que eu saiba se aguentarei as consequências de minha escolha. Eu terei que aguentar as consequências de meu ato, eu terei que aguentar o depois, porque não atingi a expectativa de alguns, mas atingi a minha, ao menos eu acho. Pela primeira vez na vida, eu tomei a MINHA decisão. E sabe? Eu estou muito bem com isso. O talvez sempre fica, o talvez que eu não esteja certa, o talvez que eu me ferre depois. Mas uma coisa eu não posso e eu não vou... me arrepender.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Décima Página: Pouco louco

Existe um vizinho de minha avó que é esquizofrênico. Ele ouve vozes e enxerga coisas que não existem, se não tomar seus remédios, pode até mesmo perder o controle, sabe-se lá de qual maneira. Mas estive pensando que assim como os esquizofrênicos, nós temos várias vozes em nossa cabeça e nunca sabemos qual seguir. Nossos pais, nossas dúvidas, nossos medos, nossos sonhos, todas essas vozes estão lá. E nós também estamos lutando para organizar todas elas e descobrir qual voz seguiremos por fim. Acho que primeiro de tudo devemos tomar cuidado com quais vozes você deixa entrar. Ser verdadeiro consigo mesmo é uma das coisas mais difíceis de se fazer, mas talvez seja o único truque para organizar tudo.